Por Janete Resende e Leonardo Macêdo
Agosto/2015

O ano de 2015, foi escolhido pela ONU para o desenvolvimento de iniciativas que visem conscientizar as sociedades e os governos para a adoção de políticas públicas e investimento em atividades voltadas para a preservação do solo como recurso natural sustentável, ressaltando a importância que este possui para: a segurança alimentar; a diminuição das mudanças climáticas; a preservação da biodiversidade e o combate à pobreza.

Para simbolizar ainda mais a iniciativa, escolheu-se o dia 15 de abril como o Dia da Conservação do Solo, como uma homenagem ao conservacionista norte-americano dedicado às pesquisas sobre solos e agricultura em todo o mundo: Hugh Hammond Bennett,. Trata-se de uma data para reflexão sobre a necessidade de se utilizar corretamente este recurso natural, visando à manutenção e à melhoria da sua capacidade produtiva.

A crescente degradação dos solos do planeta é um fator que vem gerando preocupação em diversos países e as ações devem ser voltadas para o uso racional e manejo dos recursos naturais, principalmente do solo, da água e da biodiversidade, visando promover a agricultura sustentável, aumentar a oferta de alimentos e melhorar os níveis de emprego e renda no meio rural.

Há várias definições para solo a depender do autor que se está seguindo. No entanto, de modo geral, podemos entendê-lo como uma fina camada superficial da terra, constituída de três fases: sólida (minerais e matéria orgânica), líquida (solução do solo) e gasosa (ar). Considerado como um dos recursos naturais mais importantes para a qualidade de vida do ser humano, possui múltiplas funções nos ciclos dos nutrientes e da água, sendo imprescindível para a sustentabilidade dos sistemas naturais, como as florestas primárias e campos, além de constituir um dos fatores essenciais para a tipologia florestal (Wadt, 2003).

Além de sua função ecossistêmica o solo também representa um importante campo da repartição do poder na sociedade. Refletir sobre o solo é também refletir sobre sua finalidade socioeconômica, na medida em que as formas de utilização do solo determinam em grande monta a riqueza das nações.

Segundo relatório da FAO (2011), as áreas destinadas à agricultura obtiveram aumento de 12 vezes nos últimos 50 anos, enquanto a produção agrícola aumentou entre 2,5 e 3 vezes, no mesmo período, devido à introdução de novas tecnologias na agricultura. No entanto, o relatório pontua que os solos férteis, recurso comum a todos os seres vivos, não têm sido repartidos de forma justa entre os agricultores de baixa renda e aqueles que concentram maiores aportes de capital.

Devido à introdução das tecnologias de irrigação, principalmente aquela denominada pivô central, utilizada, sobretudo, por fazendeiros de maior poder aquisitivo, observou-se a diminuição do tamanho das propriedades por pessoa nos últimos 50 anos, diminuindo de uma média de 0,45 ha para 0,22 ha por pessoa. Essa técnica, no entanto, é considerada a menos eficiente no que diz respeito à utilização da água, uma vez que 70% da água utilizada é perdida devido à evaporação.

Os mais pobres ainda praticam a agricultura não irrigada (forma dominante no planeta) em pequenas propriedades cujos solos são de baixa produtividade, altamente vulneráveis à degradação e incertezas climáticas, além de terem acesso somente às tecnologias e sistemas de produção de baixa gestão que aumentam ainda mais a vulnerabilidade dos solos. Aliado a isso, o relatório da FAO (2011) ainda aponta para a baixa qualidade das terras utilizadas pelos agricultores pequenos e pobres, uma vez que apresentam baixa disponibilidade de nutrientes, inclinação nos terrenos e padrões de precipitação e escoamento que contribuem ainda mais para a erosão dos solos.

Devido a todas essas dificuldades, aos pobres são requeridos maiores investimentos em tecnologias e sistemas de gestão para obterem produção equivalente a obtida pelos grandes fazendeiros e empresas que dominam as melhores terras. Não possuindo, entretanto, o capital necessário para tais investimentos, ficam as populações pobres mais expostas aos perigos da insegurança alimentar.

Dentro deste cenário ambiental, social, econômico, político e cultural é que devemos pensar o solo e o que ele representa para nossa existência enquanto espécie. Assim, fazem-se necessárias campanhas e ações educativas que visem o maior e melhor esclarecimento das populações sobre “o que é o solo” dos mais variados pontos de vista, buscando sua repartição justa, valorização, conhecimento e, principalmente, sua preservação e conservação.

A importância do solo transcende à produção de alimentos. Afeta diretamente evolução da espécie humana (Wadt, 2003). Da sua preservação e manejo depende a sobrevivência e manutenção da humanidade. No entanto, devido à forte urbanização da sociedade, crescimento da população e do padrão de consumo-mercado, o solo está sendo exigido acima da sua capacidade de recomposição. Assim, eis aqui algumas medidas podem e devem ser tomadas para a preservação do solo:
– conservação da vegetação nativa, que garante as propriedades naturais do solo;
– combate à erosão, feito através de valetas em sentido circular para evitar que as enxurradas levem as terras;
– reflorestamento, com plantação de árvores em regiões que sofreram desmatamento, evitando-se a erosão. O eucalipto e o pinheiro são as árvores mais utilizadas neste processo, pois suas raízes “seguram” a terra e absorvem parte da água;
– rotação de cultura, quando a área de plantações deve ser dividida em partes, de maneira que uma delas ficará sempre descansando, enquanto as outras partes recebem o plantio de culturas diferentes e, vice-versa, evitando-se, assim, o desgaste da terra (perda de nutrientes), e mantendo a sua fertilidade.

Referências Bibliográficas
FAO. 2011. The state of the world’s land and water resources for food and agriculture (SOLAW) – Managing systems at risk. Food and Agriculture Organization of the United Nations, Rome and Earthscan, London.
WADT, P. G. S. 2003. Práticas de Conservação do Solo e Recuperação de Áreas Degradadas. Embrapa. Dezembro, 2003.
http://inquima.eco.br/empresa/10-praticas-sustentaveis-na-agricultura-para-preservacao-e-conservacao-do-solo-e-do-meio-ambiente/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Solo
http://www.suapesquisa.com/o_que_e/conservacao_solo.htm
http://www.agricultura.gov.br/desenvolvimento-sustentavel/conservacao-solo-agua

Janete Resende e Leonardo Macêdo são Nucleadores de Ecologia do Ecobairro