Pensamento Semente: Desenvolvemos o exercício dos vários níveis de comunicação: individual, interpessoal, intra e intergrupal, totalmente sustentados nos princípios da Cultura de Paz e da não violência.


 

Cuidando da fala e qualificando a ESCUTA

As dinâmicas realizadas pelo núcleo de comunicação do Ecobairro no projeto Sementes para um Bairro Sustentável, foram baseadas na metodologia utilizada pelo movimento mundial de comunicação não violenta, que revolucionou as formas de dialogar. Consideramos necessária e urgente a ampliação da reflexão sobre nossas formas de comunicação e o desenvolvimento de atitudes concretas para a mudança de nosso padrão mental em relação à forma com a qual costumamos nos expressar no meio em que vivemos.

Esta visão foi também inspirada no pensamento-semente das ecovilas, que recomenda o “desenvolvimento de habilidades adequadas para a comunicação nos diferentes níveis, do micro ao macro.” As ecovilas sugerem a adoção da comunicação não violenta e o “nosso envolvimento em políticas locais e de estado, em Redes de ONGs, Rede Mundial de servidores Planetários e Organização das Nações Unidas (ONU).”

O desenvolvimento da comunicação não violenta foi liderado mundialmente por

Marshall Rosenberg e é utilizado, inclusive, em mediação e solução de conflitos. Ele afirma que todos nós já sabemos como nos comunicar de forma pacífica e não fazemos porque “fomos educados para esquecer”. Esse processo provavelmente teve início há cinco ou oito mil anos. Para exemplificar, ele criou categorias: “a linguagem do chacal”, que é a linguagem dos julgamentos moralistas e a “linguagem da girafa”, que é a linguagem do coração. Segundo ele, a linguagem do chacal é uma representação do jogo do poder baseada em  certo e errado. Esse tipo de linguagem constituída de críticas e manipulações, definições e julgamentos  gera muita  violência.

De acordo com a comunicação não violenta, também conhecida como comunicação empática, as nossas necessidades humanas universais1  devem ser atendidas, mas não devem ser satisfeitas às custas de outra pessoa.

“Um princípio-chave da comunicação não violenta é a capacidade de se expressar sem usar julgamentos de valor como bom ou mau, certo ou errado. A ênfase é dada em expressar sentimentos e necessidades, em vez de críticas ou juízos de valor.” Segundo Rosenberg, procurar atender as necessidades universais de outras pessoas é uma brincadeira que nos traz muita alegria.

Na escala mais próxima de nós, a do indivíduo, podemos elaborar perguntas para descobrir qual a qualidade da nossa comunicação, por exemplo: como acontece minha comunicação comigo mesmo(a)? Eu me escuto? Escuto meu corpo? Escuto minhas necessidades universais?

A meditação ajuda bastante nesse momento, seguida de uma escrita criativa – quando escrevemos o que vem à mente, sem pensar, para depois escolhermos o que fazer com esse conteúdo, colocando em prática ações que tragam mudanças qualitativas. Podemos nos fazer perguntas semelhantes a respeito da nossa comunicação com o externo –  com a nossa família, vizinhos, no bairro e mais além, por onde caminhamos. A forma dessa comunicação é pacífica? A escuta que fazemos do outro é inclusiva?

Que modelo mental utilizamos em nossa comunicação com o mundo? É por meio de perguntas como estas que podemos chegar a uma maior clareza sobre o que fazer para avançar na melhoria da nossa forma de expressão verbal e não verbal. Que necessidades individuais não estão sendo atendidas?

É importante que nos tornemos aptos(as) a expressar e atender nossas necessidades universais, assim como praticar a escuta empática para procurar atender as necessidades universais de outras pessoas.

Sobre o trabalho em uma escola, por exemplo, John Miller afirma  que “o professor deve estar apto para ouvir profundamente.” Exemplo: deixa ver se entendi o que você quis dizer, e fala o que entendeu. É isso? O aluno responde sim ou não. A professora ou colega pode repetir o que entendeu até que a comunicação se torne clara. Esse ato confirma: fui ouvido(a), eu existo; o que eu tenho a dizer é importante, eu sou importante.

Acreditamos que a prática da comunicação não violenta é uma das formas eficientes de nos empoderar e  empoderar outras pessoas. Para colocar em prática e/ou incorporar esta metodologia em seu trabalho, sugerimos consultar a bibliografia apresentada no final deste guia.

A ação de uma comunicação que segue o caminho do meio conduz ao aprimoramento dos relacionamentos e propõe um exercício de boas vindas à diversidade e à pluralidade de visões. A construção de um futuro com melhores condições para todos os habitantes do planeta exige coragem, e a qualidade do diálogo constitui um passo fundamental para alcançar esse objetivo. Essas são as bases que fundamentam as novas formas de tomadas de decisão em várias dimensões e escalas. Seguindo a prática da Deusa hindu Tara:

“Estou aqui para acumular habilidades e poder para abençoar e empoderar todos que encontrar”.

Mais informações acesse o GUIA SEMENTES PARA UM BAIRRO SUSTENTÁVEL E PACÍFICO