Pensamento Semente:  Fomentamos a conexão entre o bairro e seus moradores, concentrando suas atividades na própria região com o objetivo de buscar o uso adequado e a restauração dos recursos naturais de forma a preservar o ciclo da vida.


Conexão com o território, conexão com a natureza!

“Mude você que o mundo melhora.”
Fernando J. P. Neme

Precisamos fazer o exercício de pousar no local onde residimos, onde às vezes só dormimos. É necessário estarmos ancorados no lugar e são várias as formas de proporcionar esse enraizamento. Uma delas trata de trabalhar os elementos da cultura local e a observação da natureza. Exercitarmos o pensar em comunidade: o modo de vida, o mundo da natureza e o mundo da cultura – uma questão de transformação de espaço em lugar.

Faz parte desse despertar a reflexão sobre: “eu nasci lá e agora vivo aqui” (…) “Aqui é o agora do espaço” (Brandão, 2005).

 A pergunta que fazemos é: quantas pessoas gostam de viver nesse bairro? Quantas pessoas acham que vivem harmoniosamente aqui? E o que poderiam fazer para chegar a essa harmonia? A conexão com o lugar é o princípio mais importante e é o resultado de trabalhos e vivências integrados com os outros níveis, por exemplo: educação, cultura e comunicação, na busca da consciência alicerçada no respeito à natureza e ao planeta. Assim, a conexão é simplesmente o exercício de consciência – é a aproximação e obediência aos ciclos, ritmos e fluxos da natureza interna e externa.

 Para melhor utilização e preservação dos recursos naturais,  aprender a observar os sistemas naturais é fundamental. Considerando a natureza como uma “sábia” da eficiência energética com desenhos fabulosos e eficientes, (re)descobrimos os padrões naturais. A partir da prática da observação dos sistemas naturais   aprendemos sobre a filosofia da permanência, que naturalmente envolve uma conduta ética.

 Compreender as funções das formas comumente encontradas na natureza e traduzi-las em ações práticas permitindo sua replicação em simples decisões no cotidiano, é um processo que se baseia em simples passos como: observar e escutar a natureza, aprender e saber ler a paisagem e seus recursos, entender como o é clima do seu local de moradia, perceber interações benéficas entre os elementos, considerar efeitos de borda – cultivando assim uma visão permacultural.

Sabemos que boa parte das questões relacionadas às mudanças climáticas são fruto de decisões tomadas ao longo dos tempos. Hoje temos a capacidade de tomar decisões de melhor qualidade e integração com os sistemas naturais, gerando um design capaz de promover uma vida de energia descendente com eficácia e bem-estar para a nossa e para as futuras gerações.

 Conhecendo nosso território, nossa biorregião e suas características, o espectro de aprimoramento e de design deve abranger: o manejo apropriado da água – a que entra e que sai/passa (efluentes) por nós, por nossas casas ou pelo quarteirão e bairro;  a regeneração de áreas verdes com árvores, hortas e sistemas agroflorestais; a importância da manutenção da capacidade nutritiva dos solos urbanos através de compostagem reciclagem de nutrientes; a adoção de alternativas limpas de geração e conservação de energia, de formas de mobilidade urbana diversificada e de menor impacto; a utilização de materiais locais por meio de  reaproveitamentos, com maior ênfase naqueles de  origem reciclada, etc.

 Uma ação sem reflexão, pode resultar em uma ação vazia. Uma ação sem preparação pode não surtir o efeito esperado. Um bom design se caracteriza por ser sustentável em todas suas etapas,  do berço ao berço. Decisões inadequadas e designs que apresentam defeitos geram poluição, desperdício, resíduos e demandam muita energia para desenvolver um determinado trabalho ou produto.

  O desenvolvimento da nossa percepção é fundamental para que sejamos capazes de apreender conceitos básicos de ecologia que se sustentam obedecendo a regras, ritmos, fluxos, ciclos de renovação (nascimento e morte) e de diversidade que está diretamente ligada à estabilidade dos sistemas vivos, todos interconectados e de grande complexidade. Quanta sabedoria tem ao nosso redor! Nossa geração recebe um convite ao exercício e a uma nova pratica.

 Segundo Girardet1 , “em um planeta predominantemente urbano, as cidades terão de adotar sistemas metabólicos circulares para assegurar a própria viabilidade a longo prazo, bem como a dos ambientes rurais, dos quais elas dependem. As saídas, produtos ou resíduos, precisam se tornar insumos para o sistema de produção urbana. As cidades devem ser planejadas e manejadas não apenas para utilização eficiente dos recursos e da energia de baixa emissão de carbono, mas também devem tornar-se consciente dos serviços que advem dos ecossistemas para além dos seus limites,  para compensar os danos ambientais e a exploração de recursos  naturais associada a padrões de consumo urbanos.”É essencial o cuidado com uma arquitetura apropriada de casas e edifícios, os já existentes e as novas contruções.  Para atingir a meta de energia descendente o foco é promover, por meio de reformas ecológicas, uma significativa melhoria no desempenho da nossa forma de habitar o bairro e o planeta.ituam-se as estruturas chamadas invisíveis e, ao mesmo tempo, muito palpáveis – a nossa organização comunitária, ou seja, as formas coletivas de viver engloba os sistemas sociais e econômicos da biorregião, conforme exposto no nível “Economia”, formando um todo interdependente.

A partir disso, nosso foco e aprendizado deve ser uma ação orientada para o design, que significa decisão/desenho e planejamento consciente de soluções para problemas ou desafios com criatividade e inovação baseado em princípios e características da natureza local.

Como diz Neme, a grande revolução está na transformação de nossos pequenos gestos diários e de nossos estilos de vida, agindo de forma sustentável para construirmos um mundo melhor. A fórmula do sucesso das transformações necessárias para um mundo mais sustentável sempre se inicia no indivíduo, depois alcança a família e os amigos próximos, extrapola as paredes e chega aos vizinhos e encanta o condomínio, atravessa os muros e ganha as ruas, e naturalmente se expande pelos quarteirões, bairros, cidades e o mundo. A pergunta final é: queremos ser agentes de transformação, parteiros de um mundo novo?

Mais informações acesse o GUIA SEMENTES PARA UM BAIRRO SUSTENTÁVEL E PACÍFICO