Pensamento Semente:  Cultivamos o processo de autoeducação para que a comunidade e o bairro tornem-se locais de aprendizado. Valorizamos o indivíduo como agente de conhecimento e gerador de cultura.


 

O ensino-aprendizado constante de todos

 

“Eu gosto de ser gente precisamente por causa da minha responsabilidade ética e política em face do mundo e dos outros. Não posso ser se os outros não são, sobretudo não posso ser, se proíbo que os outros sejam.”

  Paulo Freire

 

 

Educar-se é um ato de conexão com as grandes estrelas que nos guiam – o Sagrado, nossos antepassados, grandes mestres – e com muita gente que circula na Terra e deixa sementes de conhecimentos, que ao serem lançadas em caminhos férteis, podem germinar e trazer novos e bons frutos.

A fertilidade do caminho é responsabilidade humana: ao conduzirmos uma atividade devemos ouvir os participantes, nos aproximar, comentar, esclarecer dúvidas e divergir, se necessário, de forma receptiva.

Somos parte da Natureza e a partir deste princípio devemos caminhar: ao reconhecer o funcionamento do nosso corpo, ao observar a organização do espaço que ocupamos, ao estar aberto à recepção e doação de aprendizado em todos os locais e momentos possíveis.

Devemos avaliar as nossas reais necessidades, saber o que pode nos levar a um lugar melhor para viver onde o resgate da afetividade consigo e com o próximo ocorra naturalmente, e onde novas relações humanas sejam construídas com base na valorização da sensibilidade de cada um e de seus talentos diversos, e no  crescimento individual e coletivo.

O mundo mudou, o dia parece estar mais curto, informações são disponibilizadas em tempo real, nossa capacidade de adaptação tem sido testada constantemente com as novidades e inovações. Um indivíduo é capaz de alterar ou afetar a vida de muitas pessoas, pois vivemos em coletividade.

Toda coletividade é diversa e precisamos refletir sobre o mundo que nos cerca com o auxílio de outros olhares: das crianças, dos jovens e dos idosos. Eles nos permitem desenvolver novas formas de compreensão – a criança está em fase de descoberta, o jovem tem energia e o idoso tem história. Precisamos desses vários olhares provenientes de gerações diferentes para compreendermos o funcionamento do local que habitamos.

A educação deve ser permeada pela vivência e construída a cada dia, a partir da percepção de que somos parte do espaço que ocupamos: nossa casa, nosso quarteirão, nosso bairro, nossa cidade, nosso Planeta. É um processo contínuo em que sempre há aprendizado, mudanças de olhar, acréscimos, constatações, reflexões, pedidos de auxílio, leitura de livros. A proximidade com o conhecimento permite a ampliação do olhar, o que leva a reflexões que podem auxiliar na construção do pertencimento, parte fundamental para alcançar o comprometimento – a força que move o cuidar.

É importante frequentar ambientes em que o ensino ocorra de forma transversal, como é o caso das instituições de ensino: escolas, faculdades, universidades, centros culturais, espaços comunitários, entre outros. O conceito de transversalidade estabelece conexão entre as diversas áreas, fundamental para que sejamos capazes de  cuidar do local onde vivemos considerando suas riquezas naturais e humanas, e nos auxilia na resolução de problemas. Mas que educação é esta?

A Educação Ambiental não pode ser considerada como um mero acessório ou modismo, mas como um novo caminho que permeia a trajetória educacional de cada indivíduo, que o auxilia a estabelecer  relações entre a teoria e a prática e a internalizar e praticar o seu aprendizado. Pode ser definida como vivencial, sistêmica e holística, tecendo uma rede interconectada que reconstitui as bases para uma vida em comunidade. Essa participação ativa no processo de aprendizado possibilita sentir/vivenciar e escolher as etapas que serão a base para a construção de uma atuação consciente, responsável, e em consonância com as leis que regem o planeta.

Mais informações acesse o GUIA SEMENTES PARA UM BAIRRO SUSTENTÁVEL E PACÍFICO