O Artigo 216 da Constituição Federal define patrimônio cultural como sendo os bens “de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira”.

Como bem cultural na cidade de Feira de Santana, a Filarmônica 25 de março segue guardando e transmitindo a memória musical viva da cidade. No próximo dia 25 de março, a Instituição completa 150 de existência.

“A Sociedade Filarmônica 25 de Março, fundada em 1868, é a banda mais antiga em atividade do estado da Bahia e a primogênita do município de Feira de Santana.” As palavras são de Antonio Carlos Batista Neves Junior, Maestro da Sociedade Filarmônica 25 de Março. Antonio Neves é graduado em Licenciatura em Música pela Universidade Federal da Bahia – UFBA, Mestrando em Educação Musical – UFBA e Professor da Escola de Música Maestro Estevam Moura.

Antonio Carlos Batista Neves Junior, Antonio Neves – Foto de Carlos Carvalho

Nesta entrevista exclusiva ao Viva Sustentável, o Maestro Antonio Neves falou sobre o contexto da Filarmônica 25 de março em Feira de Santana e as perspectivas da Banda para o futuro.

VS Quando foi fundada a filarmônica, qual o motivo e por que o nome é 25 de março?

Antonio Neves – A Sociedade Filarmônica 25 de Março foi fundada em 25 de Março de 1868. Pelo fato das atas de fundação não se encontrarem no arquivo da instituição, há duas teorias que buscam sanar essa dúvida. A primeira é uma alusão à data de outorga da I Constituição Imperial do Brasil, em 25 de Março de 1824. A segunda diz respeito ao dia de Nossa senhora da Anunciação, data em que a virgem Maria recebeu o anuncio do arcanjo Gabriel para conceber o filho de Deus que nasceria nove meses depois no dia 25 de Dezembro.

Festa de Senhor do Bonfim – Paróquia Senhor do Bonfim – 2017 – Feira de Santana – Foto Felipe Farias

Natal Encantado 2017 – Prefeitura de Feira de Santana – Coreto da Catedral Metropolitana – Foto José Romualdo

VS – Fale um pouco da história da filarmônica na cidade de Feira de Santana.

Antonio Neves – Não se pode falar da história de Feira de Santana sem tratar das filarmônicas locais. A “Sociedade Filarmônica 25 de Março”, fundada em 1868, é a banda mais antiga em atividade do estado da Bahia e a primogênita do município de Feira de Santana. Ao longo da história participou de diversas atividades cívicas, sociais, artísticas (retretas) e religiosas que contribuíram para que a instituição se tornasse um símbolo cultural dentre as diversas manifestações existentes no Município. Por sua sede passaram vários compositores que se tornaram célebres na criação e difusão de obras (dobrado, marcha, marcha fúnebre, valsa, polaca, fantasia, bolero, marchas de carnaval e maxixe) para este conjunto em todo o território brasileiro. Dentre eles podemos destacar: Estevam Moura, Tertuliano Santos, Claudemiro Daltro (Maestro Miro), Amando Nobre e Anthenor Bastos que além de compor, desempenharam papel educacional na formação de instrumentistas e no desenvolvimento de processos de ensino-aprendizagem para o rápido ingresso dos jovens no corpo musical da filarmônica.
No plano social destacam-se figuras como Arnold Silva, Bernadino Bahia, João Marinho Falcão, Juvencio Erudilho, Raul Silva, Dalvaro Silva, Heraclito Dias de Carvalho, Adalberto Pereira, João Martins da Silva, Hildes Meirelles que desempenham a função de diretores e presidentes da instituição.
Em 2014, através da fundação da Escola de Música Maestro Estevam Moura, a filarmônica retornou as atividades após um hiato de uma década. A escola tem a função de formar músicos para atuarem na banda de música da filarmônica.
Desde então a 25 mantém atividade com apresentações em escolas, procissões e teatros em Feira de Santana.

VS – Qual momento mais forte da filarmônica ao longo desses anos?

Antonio Neves – A instituição durante os 150 anos de fundação participou de diversos momentos gloriosos representando a cidade de Feira de Santana a nível nacional, como na excursão do centenário em 1968 à cidade do Rio de Janeiro e posteriormente em 1977, obtendo o seu maior feito ao ser a 3º colocada no 1º campeonato Nacional de Bandas de Música promovido pelo M.E.C. – Funarte nos estúdios da Rede Globo que rendeu a participação no vinil do concurso com duas músicas (Eliana Meirelles – Marcha – Tertuliano Santos e Allah – Dobrado – Estevam Moura).

Sociedade Filarmônica 25 de Março – 1º Campeonato Nacional de Bandas – Regência Maestro Miro
VS – Quantos componentes têm a Banda de Música e quais músicas vocês mais gostam de apresentar?

Antonio Neves – Atualmente a banda de música da 25 de Março se apresenta com uma média de 27 músicos. O repertório é variado e depende da ocasião. Em procissões os hinos religiosos são predominantes acompanhados dos tradicionais dobrados e marchas. Já em apresentações em coretos, escolas, teatros o repertório varia de musica popular brasileira, marchas, dobrados, valsas, fantasias. Vale salientar que muitas dessas obras são composições de antigos mestres da filarmônica que fazem parte do acervo da instituição.

VS – Quanto tempo você tem como maestro e o que representa a filarmônica para você?

Antonio Neves – Estou na Filarmônica 25 de Março desde 2014. A filarmônica representa a manutenção de uma tradição importante não só para Feira de Santana, mas para o estado da Bahia. Muitas vezes essas agremiações são o único local de ensino formal de música nas diversas localidades do estado. Além de todos os aspectos supracitados é uma responsabilidade manter viva a música produzida dentro dessas instituições orfeicas por grandes mestres que ainda não detém o devido reconhecimento por parte da sociedade.

VS – Quais são os maiores desafios e perspectivas da filarmônica para os próximos anos?

Antonio Neves – Nossos maiores desafios são a reconstrução e qualificação do corpo musical, fortalecimento da Escola de Música Estevam Moura, reaproximação com o público, dinamização dos espaços de apresentação, reconstrução da memória (imagens, vídeos, documentos) e manutenção do patrimônio da filarmônica.

VS – Qual a agenda de apresentações da filarmônica para este ano de 2018?

Antonio Neves – Faremos abertura da temporada de apresentações com o concerto de aniversário de 150 anos no dia 25 de Março. Depois dessa data estaremos divulgando nossa agenda conforme a demanda.

VS – De que forma a sociedade pode contribuir para o fortalecimento da filarmônica?

Antonio Neves – Primeiro passo é conhecer a filarmônica e o trabalho que vem sendo realizado em prol da comunidade de Feira de Santana. Para isso nós temos canais nas redes sociais (Instagran, Facebook e Youtube) que apresentam as ações realizadas pela instituição. Além disso, esse meio será onde futuras campanhas serão lançadas, visando a busca de apoio para a comunidade.

VS – Quais os palavras finais para encerramos esta entrevista?

Antonio Neves – Agradecer ao Viva Sustentável pelo espaço destinado à Sociedade Filarmônica 25 de Março e convidar a todos a acompanharem a nossa instituição seja pelas redes sociais como nas nossas apresentações por Feira de Santana.

Por: Redação do Viva Sustentável