Lideranças de 12 comunidades religiosas firmaram no dia 25-10, no Rio de Janeiro, a Declaração Fé no Clima, na qual manifestaram posicionamento de consenso sobre as mudanças climáticas. O documento pretende ser uma contribuição informal do segmento religioso brasileiro à 21ª Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP21), que ocorrerá a partir de 30 de novembro, em Paris.

A declaração será encaminhada à presidenta Dilma Rousseff e aos ministros do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Foi sugerido também, na ocasião, que a declaração seja enviada ao Papa Francisco, como um desdobramento da reflexão proposta na Encíclica Papal Laudato Si – Sobre o cuidado da casa comum, além das entidades de meio ambiente dos governos estadual e municipal do Rio de Janeiro.

Os líderes religiosos participaram do Encontro Internacional Fé no Clima, promovido pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser), em parceria com a organização Gestão de Interesse Público (GIP). O ponto central da declaração é que as mudanças climáticas não podem ser um tema apropriado no campo político e econômico, mas devem evidenciar a preocupação com as questões ambiental, de justiça e igualdade social e que isso não seja esquecido nas negociações entre os países.

“Porque, muitas vezes, isso vira uma discussão sobre quem emite mais e os mecanismos de pagamento por emissão. Não se deve perder de vista esse aspecto fundamental, que é a preocupação voltada para os ecossistemas e as pessoas mais vulneráveis”, destacou a antropóloga Maria Rita Villela, pesquisadora do Iser e coordenadora do encontro.

A Declaração Fé no Clima mostra a existência de sinergia também em relação à importância da confluência entre o conhecimento tradicional e o conhecimento científico e das comunidades tradicionais na defesa da natureza. Destaca a importância da juventude como propagadora da ideia de proteção do planeta. As lideranças religiosas sustentaram que o governo brasileiro precisa ser mais ambicioso no que se refere à redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE), compatível com a necessidade de limitar o aumento da temperatura global a 2 graus Celsius até 2100.

As lideranças assumiram o compromisso de levar para suas comunidades o debate sobre as mudanças climáticas, em linguagem de fácil acesso para todos, que permita refletir sobre como a humanidade pode transformar os modos de vida, de forma a promover a sensibilização e mobilização efetiva sobre o tema. Reiteraram, também, a interdependência entre todos os seres do planeta, colocando o ser humano como mais um ente importante da criação e não o dominador sobre as demais criaturas.

Igreja Católica pede acordo climático justo e transformador na COP21

Cardeais e bispos dos cinco continentes fizeram ontem (26), um apelo para que as negociações sobre o clima na COP21, em Paris, que começa em pouco mais de um mês, sejam efetivas e levem a uma mudança verdadeira. O documento foi divulgado pelo Vaticano nesta segunda-feira.

A inspiração foi a encíclica do Papa Francisco, publicada em junho deste ano, que relaciona a questão climática ao bem-estar social.

Os líderes da Igreja Católica apresentaram dez pontos para orientar as discussões, que precisam estabelecer um objetivo de “completa descarbonização” até 2050.

A proposta ocorreu a partir do “elo entre as alterações climáticas e a injustiça social e a exclusão social dos cidadãos mais pobres e vulneráveis”. Segundo o texto, a questão das mudanças climáticas não pode ser avaliada apenas pelas dimensões técnicas, mas também morais e éticas.

O apelo fala da necessidade de desenvolver novos modelos de desenvolvimento e estilos de vida compatíveis com o clima, o que depende do fim da era dos combustíveis fósseis e do acesso universal a fontes de energia renováveis econômicas, confiáveis e seguras.

De acordo com o texto, o processo de adaptação, sobretudo das comunidades mais pobres, precisa receber bastante atenção dos líderes que decidirão um acordo sobre o clima.

“Os responsáveis pelas alterações climáticas têm a responsabilidade de apoiar os mais vulneráveis na sua adaptação, de gerir as perdas e os danos e partilhar a tecnologia e o saber-fazer necessários”, informou o penúltimo ponto da proposta, encerrada com pedido de educação e consciência ecológica sérias.

Fonte: Agência Brasil