O ser humano é tão antropocêntrico que tem a ilusão de ter a capacidade cognitiva diferente de outros seres da natureza e numa busca incessante pela sabedoria, não observa que todo o ecossistema tem uma sabedoria própria de auto regulação.

No ambiente da filosofia, os amantes da sabedoria, historicamente vem buscando uma definição desse termo, mas essa compreensão, de época em época, passa por redefinições.

Ao olhar o corpo planetário de fora, com suas fotografias telescópicas, podemos ver que somos apenas um “pálido ponto azul” no universo que dá sinais de que é infinito. Ao ver esse corpo planetário girando incessantemente no universo, sem parar um segundo, como uma casa cósmica que acolhe infinitos tipos de famílias, sem falar de sua beleza, somos convidados a refletir que existe uma sabedoria e que a humanidade é apenas uma parte dela.

Com a crise ambiental planetária, a natureza vem nos convidando a esse repensar, de que precisamos dançar juntos nessa sinfonia cósmica.

Essa separação que tentamos fazer entre a natureza e o ser humano é inadmissível quando desenvolvemos uma visão cósmica, ao ver essa casa comum que nos abriga sob a égide da Mãe Natureza. Precisamos sem demora rever nosso pensamento e integrá-lo principalmente a uma compreensão do ecossistema planetário e cósmico.

As fronteiras internas, que criamos como escudo na sustentação do egoísmo, precisam ser derrubadas para dar lugar à consciência de que todos somos um. Preservando nossa identidade única, somos únicos, mesmos os gêmeos, semelhantes, mas somos únicos, cada um é diferente, formando um belo jardim de flores diversificadas.

Muitos poderão perguntar para que esse romantismo ecológico e o que nos trará de benefícios, até porque esse tipo de pergunta faz parte do modelo egóico de ser: o que nós vamos ganhar com isso. Quando vivemos a serviço, como a natureza, não como o ser humano vive, podemos observar que ela está em doação constante. Portanto se vivermos em doação constante e integrados, podemos vislumbrar alguns benefícios coletivos. Quando falamos de coletivo é porque todos estão incluídos, e assim destacamos alguns benefícios:

* Relações de cuidado de um com o outro, pois quando alguém é afetado todos são afetados.
* Fim da acumulação de riquezas e compartilhamento de recursos, pois há recursos para todos.
* Fim das guerras fratricidas.
* Consciência de que somos integrados dentro e fora, planeta e kosmos.
* Paz, unidade e abundância para todos.

Convidamos a você, a partir de hoje, a experimentar e mudar de olhar; em vez de eu, nós! Como diz a sabedoria africana: UBUNTU!

Uma coisa observamos, ou viveremos na busca incessante dessa integração de vidas pelo conhecimento, na expansão de consciência, ou as dores provocadas pela busca da natureza em voltar a seu equilíbro serão tamanhas, que o oceano de lágrimas dos que se fazem surdos poderá nos afogar na incerteza do caminho que estimula os governos a fazer o contrário do que se propõe a política: benefícios e felicidade para todos. Que consigamos resgatar o verdadeiro significado da política, enquanto é tempo.

Lembremo-nos de que a natureza tem uma sabedoria, e ela saberá o que fazer quando continuamos tratando dela com escrava de nossos desejos insanos e separatistas.

Viva a sabedoria da natureza!!!

Por: Paullo Santos
Nucleador de Política e Governança do Ecobairro Brasil