Pensamento Semente:  Trabalhamos na transição para uma gestão local, circular e participativa, na qual os membros da comunidade são encorajados a uma atuação responsável e consciente em prol do bem comum e do exercício da cidadania plena.


Fazer o bem comum

 

“A política que emerge da convivência humana produz beleza, algo que adentra o mundo humano por perdurar na lembrança da comunidade.“   Aguiar1(2011)

Um dos princípios das ecovilas diz respeito à necessidade de fazermos a transição da política de conflitos para uma política de Cultura de Paz. Uma vez compreendido que toda vida é sagrada e que a comunidade é um organismo vivo, todos os membros de um grupo devem ter participação e voz ativa. Alguns princípios como “praticar o ouvir para compreender” são a base dessa nova proposta.

 Entendemos a definição de cidadania como: o exercício de um movimento espiralado onde todos os membros colaboram para o crescimento e construção da comunidade em que vivem independente de idade, gênero, raça, crenças, religião e sexo. É uma busca pela convergência de esforços.

Cada um deve se posicionar como um facilitador desse processo exercitando-o no seu ambiente familiar, na vizinhança, nos fóruns do bairro e da cidade.

As construções são sempre em prol do bem comum, em que o individuo é beneficiado a partir do consenso, sempre que possível.

Os processos de decisão são baseados nos seguintes princípios:

  • das polaridades: equilíbrio entre os opostos, integração dos princípios masculino e feminino, sol e lua, dor e prazer, frio e calor. As decisões são tomadas de forma cooperativa e compartilhada.
  • da naturalidade: respeito pela sintonia com os ciclos da natureza e habilidades de cada um em todas as suas dimensões, sejam as estações do ano, o dia e a noite, as fases da lua.
  • da circularidade: decisões tomadas e orientadas para o bem comum, sensibilidade em ouvir respeitando a identidade de cada um.
  • da equanimidade: que exige a sensibilidade de ouvir a verdade e a necessidade de cada um.
  • reciprocidade: as ações de um indivíduo refletem nele mesmo e nos demais. Compreende uma experiência de compartilhamento do “poder com” aos invés de “poder sobre”.

Uma ação política em seu estado mais nobre e conectada com a Natureza leva em conta a beleza, o amor, a justiça, a cultura de paz e a abundância. Esse tipo de ação pode levar a realizações que realmente preservem o planeta.

1AGUIAR, Odílio Alves. Natureza, beleza e política segundo Hannah Arendt. In: JARDIM, E. (Org.) O que nos faz pensar. Rio de Janeiro: Cadernos do Departamento de Filosofia da PUC-Rio, nº 29. Maio de

2011.

Mais informações acesse o GUIA SEMENTES PARA UM BAIRRO SUSTENTÁVEL E PACÍFICO