Neste dia tão especial, em que se celebra o Dia da Mães, o Viva Sustentável traz até você algumas memórias do bairro Papagaio, em nossa Feira de Santana, relatadas pela querida Dona Vanda, a quem carinhosamente chamamos de mãe do bairro.

Dona Vanda é uma mulher de destaque no bairro, pela sua história de vida como uma das primeiras moradoras, pela mãe exemplar, que cuida não só dos seus filhos, mas que se ocupa também em dar atenção à comunidade onde vive.

A narrativa que se segue, e transcrevemos na íntegra, foi feita por Dona Vanda à Nucleadora de Cultura do Ecobairro de Feira de Santana, a professora Galba Lima. Acreditamos que esse é um começo para o resgate da história do bairro Papagaio, onde teve início o Ecobairro de Feira de Santana.

História do bairro Papagaio

A origem do nome Papagaio deriva da existência de uma chácara denominada Chácara Periquito, por ser repleta dessas aves. O Alto do Papagaio teve início quando o Loteamento Jardim Ana Paula, da Imobiliária Quinta do Sol, foi fundado.

Alto do Papagaio

Povoamento

D. Vanda chegou no Loteamento em 1980. Havia um morador no casarão de João Durval. No loteamento, foi a primeira moradora. O segundo morador foi Sr. Abílio, pela Imobiliária Morada. Não tinha sequer rua no local.

Para vir da Mangabeira, Dona Vanda conta que pegava ônibus no ponto do Colégio Otávio Mansur, saltava na praça da Mangabeira, na empresa Autosel e ia pelos matos no Alvarenga.

Dona Vanda pegava água em uma chácara do Sr. Patrício na Av. Anchieta, atualmente Av. Airton Sena. Levava tonéis, enchia e transportava em carros de mão. Posteriormente, a Prefeitura fez uma fonte, porém, para conseguir água tinha que enfrentar uma enorme fila. Decidiu então cavar uma cisterna na sua terra. A água da Embasa chegou mais tarde e a energia só em 1987.

Em 1994 foi criado o Planolar (Programa de Habitação), que funcionava com recursos do Município para a aquisição de material e eram realizados mutirões para construção de casas populares.

Segundo pesquisa da Prisma Consultoria, a população do bairro Papagaio em 1991 era de 2.464 moradores e em 2010 passou a 6.657. Porém, apesar do crescimento habitacional ser de 76% e de constar como o 3º bairro que mais cresceu em população, ainda representa uma das menores densidades demográficas por hectare.

Uma viagem pelas oito sementes que formam as raízes do bairro Papagaio

Política

A história do bairro está intimamente ligada à criação da Associação Comunitária Novo Lar, em razão de ter sido constituída com a função principal de defesa dos direitos sociais, e como atividade secundária as organizações associativas ligadas a cultura e a arte.
Fundada em 03/05/1988, a Associação é conveniada com as Secretarias de Desenvolvimento Social e de Esporte, Cultura e Lazer.
Realizou, por um período, obras sociais, como distribuição de cestas básicas, colchões, filtros de água e cobertores para as famílias carentes do bairro.

Cultura

Em 09/11/1990, a Associação criou o Grupo de Jovens que passaria a fazer parte de atividades culturais como quadrilha junina, concurso de Rainha do Milho, grupo de afoxé, confraternizações, lavagem do bairro, etc. Também foi implantado curso de artesanato.

Foi criado também o time de futebol Internacional Esporte Clube Novo Lar, que usava como campo a área onde se situa atualmente os Condomínios Ilha de Capri e Ilha Bela. No ano de 2000, a Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer passou a realizar os jogos da cidadania e o time foi convidado a participar, tendo recebido em 2009 o título de 3º colocado e em 2014 de vice-campeão.

A Associação trouxe também uma edição do Teatro da Fundação Egberto Costa.

Saúde
O primeiro Posto de Saúde foi fundado em 15/04/2003, através do esforço da Associação de Moradores junto à Prefeitura Municipal de Feira de Santana .

Comunicação
Houve uma Rádio comunitária Base Alto do Papagaio, afiliada da Santa Quitéria.

Economia
A primeira empresa que chegou foi o Supermercado J. Araújo. Em seguida, a fábrica de vassouras da Associação do Bairro, conveniada à Secretaria de Ação Social, que foi inaugurada 17/04/2007.

Ecologia

Nunca houve jardins ou quaisquer projetos de paisagismo. Há uma área denominada Praça do Pato, na Rua Santa Clara, porém, foi sendo invadida pelas construções de casas e hoje restringe-se a um pequenino pedaço de terra. Tem algumas árvores plantadas, mas não há jardim.

Há também uma área verde que foi utilizada como feira livre, denominada Feira da Sagrada Família, registrada na Secretaria de Desenvolvimento Econômico, inclusive com oferta de treinamentos para os interessados.

Espiritualidade

A primeira Igreja no bairro foi a Igreja Católica de São José, e, em seguida a Igreja Assembleia de Deus, ambas ainda em funcionamento.

Educação

A primeira escola do bairro foi o Núcleo Colegial Sérgio de Carvalho, que funcionava na casa da Professora Everalda, na Rua Rubens Francisco Dias.

No dia 27/08/1989 a Associação firmou um convênio com a Fundação Educar e passou a funcionar uma escolinha em um barracão de palha existente na frente da casa de D. Vanda. Findo o convênio, a Associação solicitou à Prefeitura Municipal a construção de uma creche que posteriormente transformou-se na Pré escola Municipal Professora Dalva Suzart, que ainda funciona no bairro.

Com essas memórias relatadas pela mãe do bairro Papagaio, a amável Dona Vanda, o Ecobairro afirma a importância do resgate das raízes históricas e culturais do nosso bairro, e não poderia ser em data melhor, no Dia das Mães, pois para nos reconciliarmos com a Mãe Natureza, é necessário ativarmos a natureza da mãe! Parabéns, Dona Vanda, pelo amor de mãe que transcende sua família biológica e se expande para todo o bairro, tornando uma comunidade sustentável e pacífica!

Redação do Viva Sustentável
Com informações de Galba Lima – Nucleadora de Cultura do Ecobairro de Feira de Santana