O ENEM de 2016 provocou os candidatos, através da redação, a pensarem sobre “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”. Uma assunto tão importante e que não se reduz apenas à esfera religiosa, porque estamos vivendo um momento de intolerância em todas as áreas da sociedade humana; em todas, mas a intolerância religiosa é o ápice, pois se na essência as religiões têm como base o amor por todos os seres, por que há então intolerância neste ambiente? Na escala planetária, a intolerância religiosa já levou a guerras fraticidas, e hoje os conflitos mundiais perpassam por este tema, estando a paz no mundo, dessa forma, diretamente ligada à paz entre as religiões.

Quando falamos em vida sustentável estamos propondo a prática da busca incessante de harmonizar os interesses sociais, ambientais e econômicos através da cultura de paz. Sabemos o quanto estamos vivendo uma crise nestas três dimensões, cada vez mais a situação se agrava e “para construir a vida nova vamos precisar de muito amor…” como diz a sábia letra da música de Beto Guedes.

É muito interessante tratar deste tema nesta época, porque temos algumas datas importantes: dia 11 de novembro que é o Dia Internacional da Ciência e da Paz; 16 de novembro é o Dia Mundial da Tolerância e 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. Enquanto se pede que a ciência possa ser uma promotora da paz, é necessário que nos aprofundemos sobre a tolerância, a base da cultura de paz que erradica todo tipo de preconceito.

Os países membros das Nações Unidas, alarmados pela intensificação da intolerância, da violência, do terrorismo, do racismo, da discriminação contra minorias nacionais, étnicas, religiosas e linguísticas, instituíram a Declaração de Princípios sobre a Tolerância, consolidada em 16 de novembro de 1995, que define a Tolerância em quatro pontos:

“A TOLERÂNCIA é o respeito, a aceitação e o apreço da riqueza e da diversidade das culturas de nosso mundo, de nossos modos de expressão e de nossas maneiras de exprimir nossa qualidade de seres humanos. É fomentada pelo conhecimento, a abertura de espírito, a comunicação e a liberdade de pensamento, de consciência e de crença. A tolerância é a harmonia na diferença. Não só é um dever de ordem ética; é igualmente uma necessidade política e jurídica. A tolerância é uma virtude que torna a paz possível e contribui para substituir uma cultura de guerra por uma cultura de paz.
A TOLERÂNCIA não é concessão, condescendência, indulgência. A tolerância é, antes de tudo, uma atitude ativa fundada no reconhecimento dos direitos universais da pessoa humana e das liberdades fundamentais do outro. Em nenhum caso a tolerância poderia ser invocada para justificar lesões a esses valores fundamentais. A tolerância deve ser praticada por indivíduos, pelos grupos e pelo Estado.
A TOLERÂNCIA é o sustentáculo dos direitos humanos, do pluralismo (inclusive o pluralismo cultural), da democracia e do Estado de Direito. Implica a rejeição do dogmatismo e do absolutismo e fortalece as normas enunciadas nos instrumentos internacionais relativos aos direitos humanos.
EM CONSONÂNCIA ao respeito dos direitos humanos, praticar a tolerância não significa tolerar a injustiça social, nem renunciar às próprias convicções, nem fazer concessões a respeito. A prática da tolerância significa que toda pessoa tem a livre escolha de suas convicções e aceita que o outro desfrute da mesma liberdade. Significa aceitar o fato de que os seres humanos, que se caracterizam naturalmente pela diversidade de seu aspecto físico, de sua situação, de seu modo de expressar-se, de seus comportamentos e de seus valores, têm o direito de viver em paz e de ser tais como são. Significa também que ninguém deve impor suas opiniões a outrem.”

Portanto, é necessário que façamos uma profunda reflexão sobre a abrangência do conceito de Tolerância para que assim possamos agir para a erradicação da cultura de violência. É importante darmos atenção a essa virtude humana essencial, se quisermos uma sociedade pacífica. A melhor forma de combater a intolerância é promover a tolerância, e para isto sugerimos algumas atitudes:

AÇÕES EM VOCÊ:
• Reflita e busque dentro de você aquilo que lhe gera irritação, respire fundo, se necessário beba um copo com água, veja o lado bom da situação e apresente um ponto de vista que promova a tolerância
• Exercite a inofensividade e evite situações que gerem no outro a intolerância
• Tenha tolerância com você mesmo, e saiba transformar a tolerância em respeito
• Tenha tolerância até com a intolerância, combate-se intolerância com tolerância
AÇÕES EM SUA CASA:
• Promova um almoço com sua família e reflitam como desenvolver a tolerância entre todos que compõem o lar
• O diálogo é uma chave preciosa para promover a tolerância e transformar os conflitos em oportunidade de crescimento interpessoal
AÇÕES EM SEU QUARTEIRÃO OU CONDOMÍNIO:
• Se aproxime do seu vizinho ou vizinha que lhe conduz à intolerância, seja criativo e acabe com a animosidade na vizinhança, criando um clima de paz
• Faça uma roda de conversa com os vizinhos sobre como promover a tolerância e alimentem fofocas de cultura de paz
• Se tem algo que lhe incomoda, como por exemplo, o som alto: converse com o vizinho de forma tranquila, expressando o que está sentindo ao ouvir o barulho, e faça isso de forma pacífica olhando nos olhos; essa atitude, se for feita com muita intensidade e amor, inibirá o vizinho de continuar incomodando, experimente.
AÇÕES EM SEU BAIRRO:
• Reúna as lideranças de seu bairro e promova eventos regulares sobre a promoção da tolerância e como criar um clima de paz para erradicar todo tipo de violência
• Reúna as diversas religiões de seu bairro e estimule encontros regulares para promoção do diálogo inter-religioso e erradicação da violência por motivação religiosa e fortaleçam a campanha da Casa das Religiões Unidas: O PLANETA É SAGRADO E QUER PAZ!
• Bairro Sustentável é bairro que promove a TOLERÂNCIA!

Encerramos com uma frase inspiradora do pacifista Mahatma Gandhi: A RAIVA E A INTOLERÂNCIA SÃO AS INIMIGAS GEMEAS DA COMPREENSÃO CORRETA.

Redação do Viva Sustentável: Consuelo Penelu e Paullo Santos