Quando o professor adentrou a sala de aula da turma F do 8º ano, numa escola pública onde, com afinco, ministrava aulas há 20 anos, uma estudante estava aflita, porque furtaram, dentro da mochila dela, um lápis, uma caneta e uma borracha. A estudante, que sentava na última carteira da fileira à esquerda, ainda havia dito que não era a primeira vez que isto acontecia. Ela, que geralmente pouco falava, estava irritada a ponto de virar uma cadeira na sala de aula. Diante disso, um colega gritou:

– Relaxe, isso é normal aqui, agradeça por não terem levado seu celular, caderno ou até a própria mochila.

A maioria dos colegas começou a dar risada, afinal era um episódio costumeiro, não só na sala de aula, como em toda a escola, e que carregava o mantra: NORMAL.

Como a aula que o professor daria era de Identidade Cultural, este começou a tratar sobre a “normose” que há em nossa cultura e sobre a banalização dos atos antiéticos que estão fazendo parte do nosso cotidiano. Corrupção é NORMAL, furtar é NORMAL, matar é NORMAL…enfim, tudo está virando NORMAL.

O professor, movido pelo ato ocorrido e a reação da turma, e também pelo desejo de motivar a modificação de tais condutas, fez uma reflexão sobre uma conhecida parábola: “Um sapo estava na água fria da panela e depois o levaram ao fogo, que paulatinamente foi esquentando, e sua adaptação à temperatura o levou a morte. Já um outro sapo, ao cair na água que já estava quente, pulou e saiu da panela, escapando da morte.” Por fim, o professor concluiu: “Portanto, essa “normose” além de gerar sofrimento, pode nos levar à morte.”

Todos ouviram atentamente, e o silêncio tomou conta da sala de aula, convidando a todos para uma mudança desse cenário assustador. Aquele estudante que havia gritado com ênfase a palavra NORMAL por várias vezes, falou:
“É professor, vou mudar isso aí.”

O professor então comentou: – Pude perceber que vocês entenderam a aula, mas além disso, precisamos transformar essa aprendizagem numa ação restauradora, como vamos restaurar o prejuízo da colega?

Os estudantes ficaram atônitos com essa pergunta e alguns disseram: “tome aqui um lápis e uma caneta minha.” O professor retrucou: “A solução não pode partir de um ou outro, temos que envolver a sala inteira.” E aí não sabiam o que fazer, e o clima ficou tenso.

Diante do impasse, o professor sugeriu: “A colega que sofreu o furto vai comprar uma caneta, um lápis e uma borracha e trazer uma nota fiscal, e o colega que gritava a palavra NORMAL vai arrecadar de todos o valor para restituir a colega. E então todos concordaram.

O professor ainda acrescentou: “Tem mais, uma pequena comissão irá de sala em sala falar sobre o que ocorreu e o método adotado para restauração do bem furtado, incentivando para que todos comecem a adotar esse método. Além disso, propondo que durante os intervalos sempre fique alguém dentro da sala de aula cuidando dos pertences de todos, e a cada dia será feito um rodizio. Dessa forma, se a turma tem 30 estudantes, a cada 30 dias a pessoa fará essa tarefa.” A turma gostou da ideia, dando início imediato ao movimento.

Essa foi a inspirada e feliz solução que um professor encontrou de imediato para dar inicio à inibição de furtos na escola e ao ressarcimento das vítimas, caso o ato venha a acontecer.

Temos outras ideias????

Por redação do Viva Sustentável