“Cooperativas agrícolas alimentam o mundo” é o tema do Dia este ano, em um reconhecimento do papel que elas desempenham na melhoria da segurança alimentar e na erradicação da fome.

Para a FAO, o combate à fome no mundo depende também da união dos pequenos agricultores em organizações fortes que influenciem as decisões políticas.

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) lidera hoje (16) as celebrações do Dia Mundial da Alimentação. O tema deste ano – “Cooperativas Agrícolas – Chave para alimentar o mundo” – foi escolhido para realçar o papel das cooperativas frente à segurança alimentar e à luta contra a fome.

No Brasil, a FAO destacou o progresso que o país fez ao combinar crescimento econômico e programas sociais. De acordo com o informe ‘O Estado da Segurança Alimentar no Mundo’ (SOFI 2012), publicado na semana passada, o Brasil reduziu o número de pessoas subnutridas de 23 milhões (1990/92) para 13 milhões (2010/12). Somente nos últimos três anos, houve uma redução de 15 milhões (2007/09) para 13 milhões (2010/12), representando uma queda de 13%. O documento alertou que uma a cada oito pessoas no mundo – quase 870 milhões no total – ainda passa fome.

O Dia Mundial da Alimentação tem o objetivo de chamar a atenção e despertar a compreensão das pessoas em todo o mundo sobre as várias formas de se combater a fome no planeta e de se garantir segurança alimentar para todos. A FAO lançou também hoje (16), em português, um caderno especial sobre o tema intitulado “Cooperativas agrícolas alimentam o mundo” (clique aqui para acessar).

Na mensagem sobre a data, o Diretor-Geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva, alertou para os perigos que resultam a falta de investimento dos países na agricultura, ao longo destes últimos 30 anos.

Segundo Graziano, após a crise alimentar de 2007 e 2008, muitos países renovaram os seus compromissos para erradicar a fome no mundo e melhorar a qualidade de vida das populações. “Mas em muitos casos, medidas políticas concretas, programas e ajudas financeiras não passaram de compromissos verbais”, explicou.

José Graziano da Silva disse ainda, que todos os dias, pequenos produtores em todo o mundo continuam a enfrentar constrangimentos que os impedem de usufruir os benefícios de seus trabalhos e garantir uma melhor segurança alimentar, não só para eles próprios mas a todos, por meio dos mercados.

Neste contexto, Graziano ressaltou a importância das cooperativas. “Elas são uma solução para as dificuldades dos pequenos produtores, uma vez que organizações fortes de produtores conseguem reduzir os custos através de compras em grupo e, assim, garantem melhores preços de venda nos mercados”, disse.

Outra característica por ele frisada foi a possibilidade dos membros das cooperativas mostrarem suas preocupações e seus interesses e, desta forma, influenciarem as decisões políticas.

Secretário-Geral da ONU lembra desafio global do ‘Fome Zero’

Em sua mensagem para a data, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, lembrou que as cooperativas agrícolas desempenham um papel vital na melhoria da segurança alimentar e nutricional. Possuídas por seus membros, destacou, as cooperativas podem gerar emprego, reduzir a pobreza e empoderar os grupos pobres e marginalizados em áreas rurais, especialmente as mulheres, para que conduzam seus próprios destinos. “Como empresas com consciência social, as cooperativas também têm provado ser um meio eficaz para a inclusão social, promovendo a igualdade de gênero e estimulando a participação da juventude na agricultura”, disse Ban.

A orientação coletiva que anima o movimento cooperativo é crucial para enfrentar o Desafio Fome Zero, iniciativa lançada por ele em junho deste ano na Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20). “Fome Zero é a nossa visão para um mundo sem fome, onde todos os sistemas alimentares são sustentáveis e todo mundo goza de seu direito a alimentação.”

“A grande experiência das cooperativas agrícolas será inestimável para alcançar um dos principais objetivos da iniciativa: a duplicação da renda e da produtividade dos pequenos agricultores. Precisaremos também de ampla participação se quisermos acabar com a baixa estatura na infância e eliminar o desperdício de alimentos, outros dois pilares do esforço Fome Zero”, concluiu Ban.

OIT elogia modelo cooperativo

O Diretor-Geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Guy Ryder, destacou o papel central das cooperativas agrícolas para garantir que todos se beneficiem do direito à alimentação.

“A experiência no mundo demonstra que os agricultores, os pescadores, os silvicultores e os pastores têm recorrido à organização em cooperativas para aumentar a produção de alimentos, ampliar o acesso aos mercados, obter melhores preços sobre os produtos agrícolas, participar de maneira mais eficaz nas cadeias de comercialização mundiais e também para administrar os recursos naturais e melhorar a segurança alimentar”, afirmou Ryder em uma declaração.

Ryder enfatizou o valor “do modelo cooperativo – e das cooperativas agrícolas em particular – em garantir que todos possam beneficiar-se do direito à alimentação e como um meio para alcançar uma vida decente, um trabalho decente e o desenvolvimento sustentável”.

As cooperativas têm contribuído também para ampliar o acesso aos serviços financeiros e à cobertura da proteção social. “Que nossas ações respaldem o movimento de cooperativas e permitam que elas adquiram cada vez mais importância, que sejam capazes de criar empregos decentes e de apoiar as comunidades agrícolas, já que seus produtos alimentam as famílias, as comunidades e o mundo”, acrescentou.

Programa Mundial de Alimentos destaca urgência do combate à fome

A Diretora Executiva do Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA), Ertharin Cousin, ressaltou a necessidade das redes de segurança social para aqueles que mal conseguem se alimentar.

“Em nosso mundo, muitos ainda lutam para encontrar sua próxima refeição”, disse. “A proteção social e os programas de redes de segurança permitem aos mais vulneráveis, especialmente às mulheres e crianças, que se livrem da fome e da pobreza. Estes programas atenuam o problema e constroem resiliência contra choques econômicos e ambientais.”

Desenvolvimento agrícola passa por cooperativas, aponta Fundo da ONU

O presidente do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), agência da ONU que busca capacitar mulheres e homens rurais pobres nos países em desenvolvimento para alcançar maior renda e melhoria da segurança alimentar, destacou o papel do Fundo em trabalhar de perto com as cooperativas em todo o mundo.

“Desde os produtores de chá em Ruanda até os centros de recursos de pecuária no Nepal, há muitos exemplos de como as cooperativas apoiam melhor os pequenos agricultores, não só para se organizar, mas para coletivamente aumentar suas oportunidades e recursos”, disse Kanayo Nwanze.

“Nossa experiência no FIDA trabalhando com os agricultores tem provado consistentemente que as cooperativas são fundamentais para alcançar esses objetivos”, acrescentou. “É por isso que nós colocamos muita ênfase nas cooperativas e continuamos a melhorar o nosso trabalho com elas.”

Programa da ONU alerta para riscos ambientais

Em um relatório lançado também hoje (16), o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) alertou que os fundamentos ecológicos que apoiam a segurança alimentar – incluindo a biodiversidade – estão sendo prejudicados.

“A era da produção aparentemente cada vez mais duradoura, baseada na maximização de insumos como fertilizantes e pesticidas, materiais de mineração de água doce e terra arável fértil, e avanços ligados à mecanização, estão atingindo seus limites, se é que já não os atingiram”, afirmou o Diretor Executivo do PNUMA, Achim Steiner, em um comunicado à imprensa.

“O mundo precisa de uma revolução verde, mas com um ‘V’ maiúsculo – uma que entenda melhor como o alimento é, na verdade, cultivado e produzido em seu contexto natural, fornecido pelas florestas, água doce e biodiversidade”, acrescentou.

O relatório – intitulado “Evitando a Fome no Futuro: Fortalecendo a Base Ecológica da Segurança Alimentar através do Sistema de Alimentação Sustentável” – foi produzido em colaboração com FIDA, FAO, PMA, Banco Mundial e o ‘World Resources Institute’, um centro mundial de pesquisa sobre o meio ambiente.

Saiba tudo sobre as cooperativas agrícolas no especial da FAO, em português, intitulado “Cooperativas agrícolas alimentam o mundo”, especial para o Dia Mundial da Alimentação: https://www.fao.org.br/download/WFD2012.pdf

Publicado originalmente no Site ONU Brasil